serendipity

Quase todo dia o despertador precisa tocar três vezes. Entre atrasos e disposições, é preciso ter coragem pra encarar a dureza de levantar numa manhã fresca, dessas que não faz frio, mas que é necessário um lençol. E dentro das pequenas fascinações da vida, está a delícia de ignorar o despertador no primeiro alarme – ele toca, eu acordo, estico o braço e sinto a quentura do lençol pela marca do corpo dele, faço um movimento delicado, quase como se tivesse medo de assustar um passarinho. Ele acorda e, ao invés de levantar, ignora os sinais de que já é dia, sorri de olhos fechados, geme, me abraça, coloca a mão na minha barriga. E eu fico ali, imóvel, com pena de dormir de novo e perder essa cena que fica fotografada na cabeça, talvez a foto mais repetida que meus olhos registram, mas é a que eu gosto mais. O despertador toca de novo, trocamos desejos de bom dia e ele fecha os olhos, ressona, vira pro lado, eu abraço as suas costas até o despertador tocar pela terceira vez e a gente entender que é preciso reagir. Quase todo dia é essa novela. Confesso que, na maioria das vezes, a preguiça é minha. Mas quando é dele, aí são os
melhores dias.

O duro é ter que levantar.

serendipity: the faculty of making fortunate discoveries by accident.

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